Por um atendimento de qualidade
Publicado em 18.08.2009
Iberê Monteiro
Podemos iniciar o debate tocando num ponto bastante sensível
dentro do grande universo da área saúde: o paciente. Qual é a
maneira mais adequada de tratar esse cidadão que procura uma
unidade de saúde, pública ou privada, para ter acesso a
recursos dignos de medicina, estando ele doente ou não?
Concordo com Guilherme S. Hummel, autor do livro ePatient - A
Odisséia Digital do Paciente em Busca da Saúde, quando mostra
que a forma mais humanizada de enxergar esse paciente é vê-lo
como um cliente, isto é, alguém que está em busca de uma
prestação de serviço, nesse caso, médico-hospitalar, assim o
mercado da saúde acomodará esse cliente nas melhores condições
possíveis, com o intuito de prestar-lhe atenção básica e
total, conforme seus anseios.
No setor privado, esse foco se faz mais enfático, pois os 40
milhões de clientes que, mesmo tendo o direito constitucional
de acesso à saúde pública, remuneram a saúde suplementar em
busca dos melhores profissionais, métodos, recursos,
tecnologias e, sobretudo, atendimento. Esses
clientes-pacientes pleiteiam excelência em medicina e
participam de tudo aquilo que circunda sua saúde: fazem
preventivos periódicos, buscam informações sobre centros
médicos, profissionais de saúde, técnicas, métodos,
medicamentos e diagnósticos, além de possuir acesso ilimitado
a uma das mais poderosas ferramentas da atualidade: a
internet.
Quando entramos no âmbito da saúde pública, nota-se por
premissa a importância de recuar em seus métodos e práticas de
atendimento. O Sistema Único de Saúde suplica pela adoção de
práticas modernas de gestão, sistemas eletrônicos para apoiar
os profissionais de saúde e tecnologias para controlar o fluxo
de informações, bem como integrar as unidades - marco inicial
para melhoria em nosso cenário arcaico e lento, com a
finalidade de estancar a sangria descontrolada de recursos
públicos. Dessa forma, a obtenção das metas de pleno
atendimento à população estará mais perto de ser alcançada,
trazendo os resultados aspirados em saúde pública.
Em tempos modernos, os pacientes têm acesso a uma quantidade
de dados em nível exponencial, sendo a web o maior veículo de
disseminação. Diante de tanta tecnologia, os pacientes
entraram num nível mais elevado na necessidade de obter suas
informações. Leia-se: informações do paciente - indivíduo que,
cada vez mais, requisita documentos médicos de sua propriedade
(receituários, exames, prescrições, prontuários, etc.).
Precisa-se encarar como realidade a tendência de os pacientes
que já foram incluídos digitalmente preferirem e exigirem
centros médicos modernos, equipamentos com tecnologias
recentes e profissionais atualizados com todas as inovações a
que têm acesso. Grandes empresas, como Google e Microsoft, já
apontam nesse cenário fornecendo Prontuário Eletrônico Pessoal
(PEP), onde o próprio paciente lança todo o seu histórico de
saúde, podendo ele mesmo fazer acompanhamentos e comparações,
além de fornecer aos médicos dados organizados num local de
fácil acesso. O cliente-paciente exige que as unidades e
profissionais de saúde acompanhem essa tecnologia.
Hospitais públicos ou privados que possuem como estratégia o
foco no paciente como cliente, e não como doente, têm uma
grande chance de obtenção de resultados perante a sociedade.
Ao mostrar essa tendência para o mercado, os níveis de
qualidade para com os fornecedores e pagadores se elevarão,
trazendo consigo benefícios agregados, como melhor
remuneração, facilidade na aquisição de recursos, certificados
de excelência, referência em tratamentos e maior demanda de
clientes-pacientes. Qual a unidade de saúde a que o paciente
retornará com mais facilidade: a burocrática, sem tecnologia,
prontuários em papel, profissionais desumanizados, ou
organizações que fornecem total apoio ao paciente focando no
conforto, recursos tecnológicos, prontuários eletrônicos,
profissionalização e processos bem definidos?
» Iberê Monteiro é coordenador de T.I. do Sindhospe
|
|